18 de novembro de 2019
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Chiquinho Sorvetes 01
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De Goiorê para o mundo: com Edina Alves, Brasil volta a ter uma árbitra no Mundial feminino

PUBLICADO DIA: 12/06/2019
POR: Portal Juranda

As roupas sujas de terra do trabalho no campo na pequena Goiorê, interior do Paraná, de quase duas décadas atrás, darão lugar ao uniforme da arbitragem padrão Fifa na estreia de Edina Alves, de 39 anos, numa Copa do Mundo feminina. Ao apitar o início do jogo entre Nova Zelândia e Holanda, com Neuza Back e Tatiana Sacilotti completando o trio brasileiro, hoje em Le Havre, às 10h (de Brasília), os dias de labuta braçal, escondidos da mãe, terão completado um ciclo para a paranaense. Dali veio o dinheiro que pagou o curso de árbitro na federação de futebol do estado. Antes de viajar à França, Edina foi árbitra de seu primeiro jogo masculino do Brasileiro da Série A — havia 14 anos que uma mulher não apitava um jogo da primeira divisão.

Da labuta no campo também veio parte do preparo físico que surpreendeu os avaliadores no teste físico na juventude. Na corrida de 400 metros, Edina fez tempo semelhante ao dos homens. De resto, as brincadeiras de rua com os irmãos e o gosto por esportes completaram a compleição física da paranaense de 1,62m e 58kg. Jogou basquete, futsal e participou de algumas competições de atletismo.

 

Passos atrás
Mas nada encantou tanto Edina quanto comandar um jogo de futebol. Um convite despretensioso do pai de uma amiga para ajudá-lo a apitar uma partida amadora, aos 19 anos, despertou a paixão.

—A adrenalina que descobri ali, que envolve todo o jogo sob sua responsabilidade é inexplicável —diz Edina, que entra na lista de árbitras brasileiras em um Mundial feminino 16 anos depois da conterrânea Sueli Tortura, representante do país em 2003.

A estreia no Mundial poderia ter vindo antes. Em 2014, era a 1ª do ranking brasileiro, pronta para virar árbitra assistente Fifa. Uma provocação do então chefe de arbitragem da CBF, Sergio Correia, a fez dar alguns passos atrás.

Em um evento, colegas de profissão elogiaram Edina, que era assistente em jogos masculinos, na frente do chefe. Ele perguntou: Por que você não quer ser árbitra?

 

—Respondi que queria e que começava tudo de novo para chegar lá. E fiz isso, tive que fazer teste nos tempos dos árbitros dos homens (dois segundos a menos), voltei a trabalhar em jogos de base, outras divisões.

O caminho trilhado por Edina tem passos de muitas outras mulheres. E foi bem mais fácil do que o de quem teve de abrir a porta. A mineira Léa Campos, com pouco mais de 20 anos, foi a primeira mulher a ganhar um certificado de árbitra da então CBD (depois de uma intervenção do então presidente Médici que desautorizou a negativa de João Havelange, que comandava a entidade ) e viajar pelo país e pelo mundo apitando jogos masculinos e femininos. Naquele tempo era inimaginável homens e mulheres ganharem a mesma coisa — hoje o pagamento por jogo é igual entre os árbitros.

Drama na altitude

Léa, inclusive, pode reivindicar para si o título de primeira árbitra brasileira a apitar um Mundial. Não era o da Fifa, mas um organizado por uma associação feminina de futebol, em 1971, no México. Só conseguiu comandar alguns minutos da partida entre Alemanha e Argentina. A altitude fez seu nariz e ouvidos sangrarem e ela foi substituída.

Aos 75 anos, a mineira, que vive nos Estados Unidos, ainda comenta jogos para um canal espanhol da TV americana. Foi convidada para trabalhar no Mundial da França, mas já havia assinado contrato para um projeto do Museu do Impedimento.

 

Léa soube do feito de Edina no Campeonato Brasileiro e mandou um recado:

— Tem que continuar lutando, não desistir no primeiro percalço. Eu abri essa porta para isso. Se podemos gerar e parir um filho, não existe nada nesse mundo que não possamos fazer.

fonte

https://oglobo.globo.com/esportes/de-goiore-para-mundo-com-edina-alves-brasil-volta-ter-uma-arbitra-no-mundial-feminino-apos-16-anos-23730542

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